sexta-feira, 15 de maio de 2009

Leopardo das Neves!

Em breve o montanhista Waldemar Niclevicz e seu amigo Irivan Gustavo Burda (que já escalaram juntos o Everest, o Lhotse e o Makalu), vão enfrentar um dos maiores desafios do alpinismo mundial - o Leopardo das Neves! Trata-se da escalada das maiores montanhas da Ásia Central, situadas nas cordilheiras do Pamir e do Tien Shan. A idéia do “Projeto Leopardo das Neves” foi criada em 1956, quando um russo chamado Ratzik sugeriu que o título de Snezhny Bars (Leopardo das Neves) fosse concedido aos alpinistas que escalassem todas as montanhas com mais de 7 mil metros de altitude da antiga União Soviética. Em 1967, em razão da comemoração dos 50 anos da Revolução de Outubro (revolução comunista russa de 1917, que resultou em 1922 na criação da União Soviética), o Governo Soviético, na busca de incrementar os ideais revolucionários e engrandecer o orgulho soviético, decidiu oficializar o Projeto Leopardo das Neves, aqueles que completassem o desafio receberiam uma medalha e o pomposo título de “Conquistador das Montanhas Mais Altas da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas”. No início o desafio era composto por quatro montanhas: o Comunismo (7.495m), o Lenin (7.134m) e o Khorzenevskaya (7.105m), situados no Pamir; e o Pobeda (7.439m), situado no Tien Shan. Mais tarde foi acrescentado o Khan Tengri (7.010m), que fica no Tien Shan. Nos primeiros anos o Khan Tengri ficou de fora, pois sua altitude aceita era de 6.995m. Por vários períodos distintos, o Pobeda também ficou de fora, pois as fronteiras estavam fechadas devido a atritos políticos com a China. De 1989 em diante o projeto se estabilizou com todas as cinco montanhas. O primeiro alpinista a se tornar um Leopardo das Neves foi Ivanov, de Moscou, em 1961. Cinco anos após, em 1966, outros três montanhistas se tornaram Leopardo. Em 1968 mais um. Em 1969 mais dois. E em 1970 outros cinco. Doze alpinistas, ao todo, nos anos 60. Segundo a Federação Russa de Alpinismo, até 2008, aproximadamente 577 alpinistas haviam completado o projeto (muitos a versão de 4 montanhas, alguns a de 5). Há apenas raros ocidentais presentes na lista. A maior parte dos Leopardos das Neves são russos ou “ex-soviéticos”, os “estrangeiros” são apenas 36, de 10 países, a saber: 13 da Bulgária, 6 do Japão, 4 da França, 4 da Polônia, 3 da República Tcheca, 2 da Áustria, 1 do Canadá, 1 da Turquia, 1 do Reino Unido, 1 da Espanha. Não existe, portanto, nenhum latino-americano Leopardo das Neves! O Pamir, um complexo sistema de montanhas, chamado pelos persas de “teto do mundo”, é o principal nó orográfico da Ásia, de onde partem as mais altas cordilheiras da Terra (o Himalaia, o Karakorum, o Hindu Kush e o Tien Shan). A região é formada por longas cadeias de montanhas que são separadas por amplos vales, chamados de “Pamir”, e estende-se principalmente sobre os territórios do Tadjiquistão, do Quirquistão e do Cazaquistão, atingindo também o Afeganistão e o Paquistão. Reino de cabras e cavalos selvagens, o Pamir possui alguns dos maiores glaciares do mundo e ainda vales desconhecidos e montanhas que nunca foram escaladas. O Tien Shan tem a fama de possuir as montanhas mais distantes, desconhecidas e sedutoras do mundo, sendo que muitas também jamais foram escaladas. Na maior parte da região não existem estradas ou povoados, nem mesmo estão marcadas nos mapas, e apenas uma caminhada já é considerada uma grande aventura. O Khan Tengri, cujo nome significa “Príncipe dos Espíritos” é considerado uma das montanhas mais lindas do mundo. O ponto culminante de toda a cordilheira, o Pobeda, cujo significado é “Pico da Vitória”, é uma das montanhas mais difíceis e perigosas do mundo. A cordilheira do Tien Shan se impõe entre o Quirguistão e o Cazaquistão, e se prolonga pelo interior da China em direção a Mongólia. Irivan e Waldemar vão realizar a Expedição Leopardo das Neves graças às empresas que os contratam para a realização de palestras focadas em planejamento estratégico e superação de desafios.
O belo projeto recebeu atenção apenas da KLM que, gentilmente, nos cedeu as passagens aéreas do Brasil até o Cazaquistão. No dia 24/06 eles partem para Almaty (Cazaquistão), via Amsterdam (Holanda). A volta ao Brasil está prevista para o dia 31 de agosto. Mais informações basta acessar www.niclevicz.com.br

sábado, 9 de maio de 2009

Nóis que inverte as coisa.

No Brasil não é mais o mérito que determina o valor das pessoas, mas sua ideologia, sua cor, sua raça, sua condição física ou social. Falar bem o idioma é motivo de piada. Ser elite é quase uma maldição. Música de sucesso é a mais escatológica. O homem honesto aparece na televisão como algo excepcional. Roubar é normal. Bala perdida é normal. Corrupção é normal. Vivemos uma inversão de valores sem precedentes e é contra esse estado das coisas que devemos gritar. Meu grito começou em 2003 quando lancei o livro "Brasileiros Pocotó - Reflexões sobre a mediocridade que assola o Brasil", iniciando uma luta pela "despocotização"do país. "Despocotizar" vem de "pocotizar" que vem de "pocotó"... Criei esse neologismo a partir do funk "Eguinha Pocotó" que infestou as rádios e televisões do Brasil neste começo de milênio. Uma pessoa pocotó é um bovino resignado que vive em manadas e é levado para onde os mais espertos querem. Alguém decide o que ela vai ler, comer, ouvir, vestir, eleger, ... Sempre conformado e obediente, o pocotó não tem espírito crítico. Diante da oportunidade de escolher, prefere seguir a multidão. O pocotó é o representante daquele atributo que faz parte da natureza humana e que existirá enquanto houver um ser humano vivo: a mediocridade. O desafio é saber reconhecê-la e lutar para escapar dela. Pois bem, passados seis anos desde que lancei o Brasileiros Pocotó, a impressão é que a coisa piorou! Os pocotós ficaram mais desinibidos, mais poderosos e perigosos! O Brasil mergulhou numa mistura de ideologia barata com comércio, oportunismo e ganância, que está empurrando o país para um buraco intelectual de onde penará a sair! E é a partir dessa constatação que estou preparando o lançamento de meu novo livro: NÓIS. O título fica mais expressivo se for acompanhado do subtítulo: NÓIS QUI INVERTE AS COISA. E antes que os linguistas - principalmente os que utilizam a linguística como ferramenta para pregação marxista - caiam de pau, devo informar que o "nóis" que escolhi como título não é aquele curioso jeito de falar do matuto, inocente e representativo de uma cultura. Não é o "nóis" que designa a terceira pessoa do plural. Não é o termo que indica um grupo de pessoas unidas pelo mesmo sonho, mesmo objetivo, mesmo ideal. O "nóis" que escolhi é resultado de um longo processo de incompetência educacional, indigência cultural e desfaçatez política. Escapa do informal para invadir o formal. Traz consigo atitudes, valores e convicções rasas. Abriga o pior do popular. O "nóis" que escolhi é aquele que vulgariza, diminui e empobrece. É o "nóis" transformado em ferramenta ideológica, em ícone de luta entre classes, em padrão de dignidade. Não é o "nóis" humilde. É o "nóis" burro. O "nóis" que revela a verdadeira miséria do Brasil: a intelectual. Meu novo livro trata do emburrecimento nacional. É minha peça de resistência, para compartilhar com outros brasileiros as angústias e perplexidades que mantém nosso gigante eternamente adormecido. São 284 páginas com textos inéditos e revisões e atualizações de artigos que publiquei desde 2004 e que, quando colocados em conjunto, ilustrados com meus cartuns e contextualizados, formam um painel destes tempos sob a ótica "Luciânica". São textos curtos. Apenas "iscas" cuja pretensão é fazer você refletir. Só. Quer ir mais fundo? Vire-se. Pesquise, leia, vá atrás dos grandes pensadores, estude, invista seu tempo enriquecendo seu repertório. Eu só levanto poeira, o que é um bom começo neste país de ressentimentos passivos. No mais, concorde, discorde, fique puto, ria, desdenhe, reflita ... Qualquer reação que minhas reflexões provocarem, será lucro! Só a indiferença é perigosa! É ela que alimenta os Pocotós! Luciano Pires