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Porto Alegre, RS, Brazil
Acredito que um blog legal é aquele que te ensina algo, que te faz viajar, que fala sobre: lugares, pessoas, culturas, montanhas, preservação da natureza, ... Espero que você goste dos textos que escrevi, interaja com o conteúdo, deixe um comentário, opinião ou sugestão e se anime a contar as suas histórias também.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2002

Montanhismo

Procurado por aqueles que buscam um maior contato com a natureza e a superação de seus próprios limites, o montanhismo é um esporte que proporciona satisfação vislumbre e emoção. Transpor caminhos nunca percorridos e colocar os pés em lugares inóspitos são desafios que, quando vencidos, trazem ao praticante a recompensa e o incentivo necessário para que novas metas sejam lançadas.

Um dia ouvi dizer que o desafio de escrever sobre o montanhismo é comparável à tentativa de escalar uma montanha. Antes de tudo é importante saber que o montanhismo possui um significado diferente para cada pessoa. Para uns é arte, religião, estilo de vida; Para outros, um esporte, arte atlética; Para os não montanhistas irresponsabilidade, loucura, coisa para quem quer "aparecer", uma forma de desafio mental. Na realidade o montanhismo é um pouco de cada uma destas descrições.

Assim como qualquer esporte o montanhismo precisa de algo que "tempere" o jogo, algo que separe os excepcionais dos bons. Desafios! Dentre eles podemos citar: o peso da mochila, as longas caminhadas, a inclinação do terreno, a graduação das vias, a altura da parede, o rigor do clima...

Por mais que o montanhismo seja diferente dos outros esportes seus praticantes, simples homens e mulheres mortais, tem muito em comum. Nenhum deles chega ao topo por acaso! Eles passam grande parte de seu tempo estudando técnicas de segurança e treinando arduamente. Destacam-se pelo domínio de seus corpos e mentes aliado a um desejo sobrenatural de vencer. Suas vitórias, aparentemente fáceis, impressionam um grande número de pessoas e os transformam em mitos, ídolos, referências para comparações...

Atualmente encontramos gente com este perfil em todos os cantos da terra!

Não existe esporte que, em algum momento, não teve um verdadeiro artista que, para chegar ao topo, também sentiu medo mas soube conviver com ele e conseguiu superá-lo. Sentir medo no meio de uma ascensão não é sinal de covardia. Muito pelo contrário! É ele que nos faz agir com bravura e dignidade diante das situações da vida. Quem sente medo, e apesar disso, segue adiante sem deixar intimidar-se, está mostrando valentia. Quem, entretanto, enfrenta situações arriscadas sem dar-se conta do perigo demonstra, apenas, irresponsabilidade.

Melhoria da condição física e psicológica, conhecimento técnico sobre diversos assuntos, autoconfiança, autoestima e espírito de liderança são características que, certamente, você irá desenvolver praticando este fantástico esporte.

Visite http://www.mundovertical.com/ e dê o primeiro passo em busca de suas montanhas.

domingo, 16 de julho de 2000

Aproximação a Agulha do Diabo.

07:00 - Após dois dias esperando o tempo melhorar, no primeiro raio de Sol que avistamos, pegamos as mochilas e saímos do hotel.
08:00 - Como o ônibus demorava e não podíamos perder tempo, resolvemos tomar um táxi até a entrada do PNSO. Ao chegar, nos identificamos, falamos de nossa pretensões, preenchemos a ficha de ingresso no parque (onde deixamos a freqüência de operação de nosso rádio), pagamos a entrada (R$ 12,00) e o motorista nos deixou ao lado da represa que marca o início da trilha à Pedra do Sino (23K - 0705720 - 7515745).
10:00 - Iniciamos a caminhada em direção a Pedra do Sino. Tínhamos 11.500m de caminhada montanha acima.
15:00 - Após passarmos pelo que denominam Abrigo 2 (23K - 0704503 - 7516292) e Abrigo 3 (23K - 0703776 - 7515733), chegamos a um local denominado Cota 2000 (23K - 0703710 - 7516289). É neste local que cada montanhista, praticamente, decide se acampa no Abrigo 3 (um pouco mais atrás), se desce ao fundo do vale do rio Paquequer (para escalar a Agulha do Diabo no outro dia) ou vai até a Pedra do Sino (simplesmente para acampar, fazer a travessia até Petrópolis ou para escalar algumas big walls na própria pedra). Encontramos novamente o Carlos e seu amigo que, desta vez, subiram a montanha mais cedo e já retornavam. Trocamos algumas palavras comendo bolachas recheadas, bebemos um pouco de suco e ficamos uma meia hora curtindo o belo visual da cidade de Teresópolis. Tiramos algumas fotos e logo nos despedimos. Como o tempo, novamente, parecia virar, resolvemos acampar no Sino.
16:00 - Após 6 horas de caminhada, chegamos ao acampamento da Pedra do Sino (23K - 0702938 - 7514938), situado a 2.145m de altitude. Soprava um forte vento Oeste trazendo muitas nuvens. Lembrei dos Aparados da Serra. Resolvemos então montar a barraca, organizar as tralhas e descansar um pouco.20:00 - O tempo piorava. Rapidamente montamos nosso fogareiro e fizemos a janta (massa com lingüiça). Montanhistas de vários estados estavam acampados por ali, umas 10 barracas. Após a janta fizemos uma roda e ficamos batendo papo e tomando chá. Momento de confraternização. Fomos dormir bastante preocupados com a possibilidade de não escalarmos nos próximos dois dias.

sábado, 15 de julho de 2000

Dia de chuva.

08:00 - Acordamos, tomamos café e fomos ao supermercado fazer as compras. 12:00 - Com tudo pronto, mas com a previsão meteorológica desfavorável, resolvemos adiar a nossa saída para escalar a Agulha do Diabo para Sábado pela manhã. Ficamos no hotel.

sexta-feira, 14 de julho de 2000

Dia de descanso.

08:00 - Aproveitamos e acordamos mais tarde em nosso dia de descanso. O tempo está nublado. Tomamos café, chimarrão e ficamos assistindo algumas reportagens no Discovery Channel.
12:00 - Saímos para almoçar no restaurante A Italiana (J.J. de Araújo Regadas, 95, fone: 0xx21-742-2565) onde pedimos uma pizza.
16:00 - Caminhando pelo centro da cidade encontramos a Top Spin Adventure (Delfim Moreira, 381, fone: 0xx21-742-4647), uma loja equipamentos para montanhismo, localizada nas proximidades do hotel. Ao entrar fomos atendidos pelo Flávio e pelo Alex - também montanhistas! Trocamos algumas informações e logo fomos convidados à participar da reunião do Centro Excursionista Teresopolitano - CET (Av. Lúcio Meira, 221, conj. 23, fone: 0xx21-643-2424) que aconteceria às 20:00.
19:30 - Saindo do hotel, para a nossa surpresa, encontrei o velho amigo e companheiro de muitas escaladas, Carlos Wolf e seu companheiro de cordada. Chagavam da Pedra do Baú - SP, onde escalaram algumas vias. Precisavam de algumas informações, então fomos todos juntos à reunião do clube. Festa geral regada a chimarrão! A reunião foi realizada em um local bem simples. Encontramos, dentre muitos amigos, Marco Catão, irmão de Mozart que se mostrou um competente montanhista. Tratamos de vários assuntos: ética, grampeação, guias e trocamos muitas informações sobre as vias de escalada de Teresópolis. Logo que encerramos cada um foi para o seu lado, pois no outro dia era dia de trabalho para todos. Também nos despedimos do Carlos que, por não encontrar vaga em nosso hotel, preferiu acampar dentro do parque.

quinta-feira, 13 de julho de 2000

Dedo de Deus.

06:00 - Acordamos, tomamos café e, sem demora, pegamos as mochilas e saímos para o nosso primeiro dia de escalada. Levamos somente o necessário para a escalada: equipamento básico, lanche, água, anorak, câmera fotográfica, kit de primeiros socorros e rádio VHF. Céu azul e sem nuvens - o dia promete!07:00 - Na avenida paralela a rua do hotel pegamos o ônibus Soberbo que, mais tarde, nos deixaria próximos ao Centro de Informações Turísticas - CIT. Localizado perto da entrada da cidade, possui uma das melhores vistas da Serra dos Órgãos e fica a uns 10 min. de caminhada do início da trilha do Dedo.
08:00 - Do CIT seguimos pelo acostamento da estrada até uma espécie de santuário construído em uma das curvas da serra. Há aproximadamente 250m da Santinha, ainda descendo a serra, existe um sumidouro de água. É neste local que inicia a trilha de acesso ao Dedo de Deus.
10:00 - Após a ascensão da trilha e vencidos os incontáveis metros de cabo de aço que facilitam o trabalho, chegamos no início da via Leste (5ºa). Encontramos 4 escaladores de Petrópolis na nossa frente. Descansamos alguns minutos, nos equipamos e começamos a escalar.14:00 - Cume! Cume! Cume! Após 4 horas escalando diedros, fendas, chaminés e rebocando as mochilas chegamos ao topo do Dedo de Deus. A temperatura estava agradável e a densa neblina, imperceptível durante a escalada, não tirou a emoção da chegada. Marcos, completamente extasiado, fazia transparecer sua alegria em ter escalado mais uma montanha. Naquele momento me senti um ser superior e agradeci a Deus por trabalhar com este fantástico esporte. Logo sentamos, aliviamos os equipamentos, tiramos fotos, comemos e bebemos algo. Pelo rádio pude fazer contato, através das freqüências 146.740 e 145.810 MHz, com o amigo Cezar (PY1PMT) de Teresópolis que nos avisou para descermos rápido que o pessoal da meteorologia estava prevendo chuva - e ela veio mesmo!
15:00 - Assinado o caderno de cume, inicia-se uma chuva fraca e intermitente. Resolvemos descer pela via Teixeira (a via da conquista de 1912), pois é mais segura (foi regrampeada) e facilita o rapel. Com apenas 3 enfiadas (duas de 40m e uma de 20m) já estávamos no início da trilha de descida. Agora o que caía do céu era água mesmo!18:00 - Após o rapel, as seqüências de cabos de aço e a caminhada abaixo de mau tempo, voltamos à civilização. Já era noite, nossas lanternas de cabeça funcionaram como nunca. Mais uma vez obrigado Petzl! Como ninguém dá carona para dois sujeitos molhados às 19:00 da noite, tivemos que caminhar até o CIT para pegar o ônibus de volta à Teresópolis.
20:00 - De volta ao hotel, aproveitamos o banho quente, trocamos de roupa e sentamos para bater papo sobre a nossa escalada. Foram 10 horas na montanha! O Marcos se deu bem e gostou muito! Logo saímos para jantar. Desta vez espaguete a bolonhesa gratinado no restaurante Taberna Alpina (Duque de Caxias, 131, fone: 0xx21-742-0123). Sugestivo nome!

quarta-feira, 12 de julho de 2000

RIO DE JANEIRO - BRASIL.

11:00 - Após uma excelente viagem, chegamos na cidade do Rio de Janeiro. O dia está quente. Após o desembarque compramos as passagens para Teresópolis (R$ 8,00) e as de volta à Porto Alegre (R$ 103,00). Um ponto positivo foi a mudança de horário da Itapemirim que evitou o trânsito de São Paulo cruzando a capital de madrugada.
12:30 - Saímos do Rio rumo à Teresópolis. Neste trecho da viagem não há problema de horário, pois do Rio à Teresópolis saem ônibus de hora em hora.
13:50 - Chegamos em Teresópolis (23K 0708923 7519673). Desembarcamos, pegamos nossas mochilas e fomos diretamente para o hotel Avenida (Av. Delfim Moreira, 439,Centro, 0xx21-742-2751, R$ 25,00/dia), reservado antes mesmo de sairmos de Porto Alegre. Logo na entrada fomos bem recebidos pelo proprietário, seu Magalhães, que já nos aguardava.
20:00 - Com tudo pronto para a escalada do Dedo de Deus, nosso primeiro objetivo, fomos jantar no restaurante Taberna Guaíra (Delfin Moreira, 595, fone: 0xx21-742-0444). Bela reposição de carboidratos com um espaguete a bolonhesa de primeira!

domingo, 25 de junho de 2000

sexta-feira, 23 de julho de 1999

De volta pra casa.

Nossa viagem de volta ao Brasil, mesmo com todos os objetivos atingidos, foi igualmente desgastante. Voltamos pelo mesmo caminho, mas desta vez em ônibus mais confortáveis e na 1º classe do Trem da Morte. Após seis dias estávamos de volta em nossas casas. Foram 15 dias na estrada! Viagens como esta nos ensinam muito. Ensinam a tomar melhores decisões perante as dificuldades, a trabalhar em grupo e até mesmo tomar uma decisão por todos. Nos ensina sobre a cultura de diversos povos de uma maneira explícita, melhor que em qualquer sala de aula. E o mais importante - não existe melhor forma de se fazer novos amigos, sejam eles do Brasil ou do Japão. Não há experiência melhor de organização e administração de recursos do que colocar uma mochila nas costas e saber que tudo o que você vai precisar está ali dentro. Para quem gosta de viajar não importa para onde vai, o importante é nunca deixar de conhecer este maravilhoso mundo que está além de sua janela. Para ler mais:
MOTTA, Sérgio. Machu Picchu - Na trilha da Aventura. Ed. Ediouro. 1996.ZERECEDA, Oscar C. Machupicchu - Universidad Inka. Centro de Estúdios Regionales e Andinos Bartolome de lãs Casas. 1999.

quinta-feira, 22 de julho de 1999

Macchu Picchu

Antes mesmo de amanhecer, tomamos café e desmontamos nosso bivaque. Vestimos nossas mochilas e de lanterna na cabeça, nós e mais 50 pessoas, silenciosamente, caminhamos até a Porta do Sol. Parecia que, naquele momento, estávamos participando de um ritual. Após 1 hora de caminhada chegamos. Neste local, pessoas de várias as línguas, raças e crenças se reúnem e aguardam o sol nascer e mostrar a todos a esperada cidade - Machu Picchu, que agora estava bem a nossa frente. O dia amanheceu frio, mas assim que os primeiros raios do Sol atravessaram o portal e avistamos Machu Picchu, o momento foi fascinante e de indescritível beleza. Ficamos observando até que o Sol nos aquecesse e cobrisse toda a cidade. Só então começamos a descer em direção a Machu Picchu, que agora ficava a uns 15 minutos descendo pela trilha. Não é permitido entrar em Machu Picchu com mochilas. Nossas companheiras de viagem teriam que ser deixadas num local apropriado e seguro, onde todas os montanhistas e turistas deixam suas bagagens - pagamos um dólar pelo serviço. Em Machu Picchu existe uma bem organizada infraestrutura. O parque conta com: bares, restaurantes, posto médico e ônibus que, a toda hora, levam e trazem da estação de trem, pessoas que fazem a trilha ou que só querem visitar Machu Picchu. Os administradores do parque tomaram todas as providências para que, mesmo com a exploração comercial, a cidade permanecesse protegida. A energia do local é muito forte. A construção das casas, a arquitetura, as áreas agrícolas, os locais sagrados, assim como as fontes e dutos de água cuidadosamente projetados para irrigar toda a cidade estão lá até hoje funcionando. Realmente é muito difícil descrever o clima do local e a beleza que, mesmo depois de descoberta pelo homem, ainda permanece na cidade. Após andarmos por todos os cantos e tirarmos muitas fotos chegou a hora de partir. Decidimos descer até Águas Claras, um pequeno vilarejo de onde sai o trem que nos levaria de volta a Cuzco. Depois de uma hora em um micro-ônibus, chegamos a estação. Compramos as passagens e ficarmos mais de uma hora esperando o trem. Na volta constatamos que a viagem de trem é muito bonita e que vale mais a pena ir até a entrada do parque por este meio do que alugar outro veículo. Chegamos em Cuzco a noite. Nosso principal objetivo era descansar e comer algo especial. Resolvemos ficar mais dois dias nos perdendo pela cidade, fazendo compras, visitando museus e absorvendo o máximo de cultura que a ela poderia nos oferecer. Cuzco possui uma característica bem particular. Mesmo passando por muita dificuldade econômica e grande desigualdade social, o povo é muito alegre e hospitaleiro

quarta-feira, 21 de julho de 1999

Dormindo sob o céu estrelado.

No dia seguinte, ao acordar, a visão que tínhamos era surpreendente, logo a nossa frente imponentes montanhas nevadas sob um lindo céu azul. Após o famoso desjejum: leite com Nescau, aveia e bolachinhas com geléia, desmontamos o acampamento e retornamos à trilha. O caminho agora se tornava mais agradável, pois sempre passávamos por várias ruínas, fortalezas e caminhos de pedras. Conhecemos as ruínas de Sayacmarca (3.500m), Phuyupatamarca e Wiñaywayna, onde montaríamos o acampamento 3. Um detalhe que nos chamou a atenção é que os incas, hábeis construtores, adoravam escadas. Sobe, desce, passamos por um acampamento intermediário, que se encontra no alto de uma colina. Um guia local nos avisou que se o acampamento inferior estivesse lotado, dificilmente conseguiríamos local para acampar. Certo ou errado, montanhas são locais onde devemos tomar decisões, decidimos então arriscar e continuamos a descer pelas escadas, que não tinham fim, até chegarmos a uma pequena pousada que serve de alojamento para os montanhistas que contratam os serviços de guia. Como nesse dia decidimos caminhar mais lentamente para curtirmos a trilha, chegamos no acampamento muito tarde. Como o guia nos alertou - estava lotado. Procuramos e não havia lugar para uma barraca se quer, foi então que resolvemos montar um bivaque na área de um bar que fora abandonado. Todos os nossos companheiros de viagem que por ali passavam, não acreditavam que dormiríamos naquele lugar. Como o local tinha uma bela vista, parecia confortável e nosso objetivo era levantar às 5:30 da manhã para caminharmos o último trecho da trilha, nos instalamos, armamos o tradicional chimarrão e ficamos curtindo nossa última noite nas montanhas peruanas. Sob o lindo céu emoldurado pelas altas montanhas nevadas da Cordilheira Real, jantamos e fomos dormir.